quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Life for rent


Nunca fui uma pessoa muito estável. Para dizer a verdade, nem quero.
Só que ainda não descobri porque.
De onde vem esta busca incessante de procurar por aquilo que não existe???


Enquanto observo os outros a tratarem pouco a pouco daquilo a que chamam casa, afasto de mim própria essa ideia.

Quando uma coisa começa a conquistar demasiado daquilo a que chamo "o MEU espaço", procuro outra casa.

Talvez seja por isso, que escolhi a vida que tenho.

Talvez seja por isso que não sinto nada como sendo realmente meu.

Talvez seja por isso que tenho a impressão que a minha vida terminará cedo,


mas nem isso me importa...

Talvez assim, nunca tenha tempo suficiente para encontrar a minha casa,


Desde que isso me faça VIVER!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Guatapé,Colombia 26 de Setembro 2010











Observo um espectáculo de pirotecnia na cama do quarto do hotel. A porta que dá para a rua está entreaberta o que me permite ver e ouvir a força desta tempestade. A mesma força com que a chuva ataca este chão, coberto de tudo o que é verdadeiro, de tudo o que é real.
E é tudo tão simples, tão espectacular e imaginem só: gratuitamente.
Aqui, parece que a mão do homem não passou. Talvez porque não tenham tido poder monetário para destruir aquilo que foi deixado pela natureza. Talvez haja muitos lugares destes no mundo, talvez já tenha visto algures na televisão. Mas nunca tinha presenciado tal coisa.

Ao princípio foi chocante: ver crianças descalças, em casas tão pequeninas, facilmente confundidas com infantários pelas pinturas que apresentam nas paredes exteriores.
Não há um multibanco, não há um cinema, não há um parque, não há um centro comercial, lojas de roupa (só para os turistas), a estrada é só uma; passa por entre o meio das montanhas com o objectivo de satisfazer as necessidades básicas destas pessoas.
O Sr. Humberto, motorista do táxi do hotel (um mata velhos, mascarado com pinturas e luzes de todas as cores que se acendem para entreter os turistas), toma calmamente o seu pequeno almoço ás 7 da manhã: massa com carne, ou se preferirmos o nosso jantar de ontem, restos daquilo que não quisemos. Talvez vá ser a sua única refeição do dia. Talvez seja por isso que não se queixa e que o faz saborear com tamanha disposição.

Ainda assim, de tudo, o que mais me impressionou foi a vontade, simpatia e simplicidade com que estes empregados falam aos seus hóspedes. A genuidade dos seus sorrisos levam-nos a agradecer toda a dedicação que caracteriza o seu trabalho. A sua resposta é outro sorriso que rematam com a expressão: “con mucho gusto”

Um grupo de miúdos tratam das canoas, descalças, á chuva, debaixo de um calor abafado mas sempre a rir. O mais velho, dá ordens, os outros cumprem sem pestanejar. A tranquilidade que se vive ali é inquestionável, respira-se.

É tão injusto pedirmos mais do que aquilo que temos quando há pessoas com tão menos do que nós… É incrível que tenhamos que presenciar todas estas coisas para percebermos e termos noção daquilo que realmente interessa.

E sigo aqui, na cama do meu quarto, com a janela e a porta aberta, simplesmente… a ouvir a chuva a cair…

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Ter sede...


- "Não quero que vás embora só porque as coisas estão a ficar dificeis"

- "Dificeis???!!! Senão vejamos:
Toda a minha vida me matei e esfolei mais do que toda a gente, sem resultado que se equiparasse a quem trabalhava metade.
Toda a vida vi uns a partir e outros a vir, sempre com melhores resultados, fresquinho e acabadinhos de chegar
Quanto mais velha ficava, embora os meus resultados fossem melhorando, nunca eram proporcionalmente iguais aqueles que acabavam de chegar.
E ainda tem a lata de me dizer que não tolero momentos dificeis???"


Querida M.Jou:

Vou ter que concordar com o teu treinador.

Tu tinhas sede. Mas quando encontraste finalmente a água do poço, achaste que não merecias bebê-la. Ou não tiveste coragem.

Porque é que as prioridades da tua vida mudam, exactamente no ano em que consegues o lugar ao sol que tanto desejavas?

Não é facil encontrar a resposta, especialmente quando se está de dentro.
A facilidade é relativa: aquilo que é fácil para ti, é dificil para os outros, já aquilo que é facil para os outros, é muito complicado para ti.

Ou muito me engano ou se tu este ano, não tens conseguido aquilo que ha muito procuravas, ainda andavas cá mais um ano á espera daquilo que fizeste agora.


Coisas dadas não são para ti. E aí que começam as tuas dificuldades.
Receber é dificil, já tinhamos falado sobre isso. É ainda mais dificil do que dar. Como nós te compreendemos.

Talvez não estejas preparada para beber a água e finalmente matar a sede,
Talvez seja mais fácil para ti abrir um novo buraco mesmo ao lado,
Talvez um dia queiras finalmente aceitar aquilo o que a vida que tem para te dar.


Tens sorte. Há uns que não sabem nem nunca vão saber o que é ter sede...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

no i desta semana... nem de propósito

OS IRMÃOS NÃO SE falam.
Às vezes nem olham uns para os outros. Passam-se dias e dias em que a única coisa que se ouve entre eles é "Passa-me aí a manteiga". Quase sempre, quando mantêm um diálogo de mais de 30 segundos, é porque vão discutir. E se o diálogo se prolonga é porque vai acabar em pancadaria. Os irmãos não se falam porque não precisam. Brincam juntos, dormem juntos, comem juntos, vivem juntos, têm as mesmas roupas, gavetas, brinquedos, pais, avós, quarto, casa, passado, genes, educação, livros, manias, outros irmãos, amigos, etc. Logo, falar sobre o quê? Não há grandes experiencias para trocar. Conversar como pessoas civilizadas que vivem debaixo do mesmo tecto e que tentam manter uma relação duradoura até que a morte os separe não é coisa para irmãos, é para pais. Porque irmão que é irmão não fala sem ser por obrigação.Quando os irmãos crescem as coisas podem mudar. Mas só porque, além de irmãos, assumem também o estatuto de amigos. Aí conversam, fazem cerimónia uns com os outros, raramente discutem, falam que se farta e nem se importam de emprestar coisas. Mas isto, no mundo das crianças, é quase impossível. Uma criança não é amiga do irmão como se de um amigo qualquer se tratasse; é irmão, o que chega e sobra. Não lhe dá confiança, mas entende-o melhor que ninguém - muitas vezes até melhor que os pais. É assim como a palma da mão: nunca falamos como ela mas conhecemo-la melhor que ninguém.Não, os irmãos não se falam, sentem-se.

domingo, 22 de agosto de 2010

Knock out


Incheon, Coreia, 5h00Am:


Acordei agora, como de resto, todos os outros dias desde que cheguei.
Estava a sonhar com uma festa de inicio de epoca no Scp com treinadores novos e lembrei-me de escrever

Questionava-me da razao pela qual neste tipo de sitios as provas tem tao pouco nivel, o prize moneys sao tao altos e a organizacao nos paga tda viagem.
Num ambiente espectacular numa parte nova da cidade, so hoteis de 5 estrelas, 5 faixas cada estrada e 6 nos cruzamentos, as pessoas nao falam ingles e ha uma poeira no ar que nos impede de respirar. Tudo aqui 'e a frente: parece que estao a viver alguns anos a nossa frente.

40 graus, humidade de 80%. Procurava pontos que me ajudassem a subir no ranking e me ajudassem a salvar esta epoca, que desde que comecou, nao senti nenhuma vez a sensacao de forma, daquelas que nos faz correr mais depressa, independetemente se ganhamos ou nao, sem limites e independentemente de quem esteja presente: isso nao interessa... eu ganho na mesma.
Um Inverno duro e muito trabalhoso, com algumas limitacoes, sempre na esperanca de vir a colher os frutos, ainda que sabendo que poderia levar o seu tempo. Importava acreditar. Importava gostar de sofrer, importava querer.

Ontem foi mais uma pagina e mais uma experiencia do meu livro como pseudo atleta:
Preparei tudo ao pormenor: sabia que ia ser duro. Tentei comer porque ando sempre no limite do meu peso, tentei beber, e ate levei mais um biberon so para me molhar durante a bicicleta. O nivel estava fraco, era muito facil fazer um bom resultado nao fosse o nosso principal adversario a luta conosco proprios.

Agua a 32 graus, nunca tinha visto nada assim. Assim que suou a busina, houve uma falsa partida (juro que desta vez nao fui eu). Todos partimos logo depois, incluindo eu. Aos homens ja tinha acontecido o mesmo, o que nos deixou de acreditar que as coisas conosco iam ser feitas de forma mais justa.

Custou-me aquele inico, sabia que eram poucas as adversarias e com isso a probabilidade de se formar um grupo alem daquele. No final da primeira volta tinhamos que sair pelo pontao e voltar a entrar na agua. Nesse instante a correr em cima do pontao, comecei a sentir uma coisa estranha, ja nao via mto bem. Achei que tinha sido do pontao flutuante que nao estava estavel.

Foi duro ver o grupo a ir embora sem ter forca para continuar. Tinha perdido cerca de um minuto. Tentava dar mais as pernas, aos bracos pensar na tecnica, foi estranho pensar em tudo, em tdas as alturas em que foi mais duro treinar do que competir. Pensei que aquilo nao poderia ser nunca comparavel ao esforco que se fazia na piscina em tantas alturas e tantos treinos que fiz ate hoje.
Mas foi...

A chegada ao parque foi penosa. Era uma corrida contra o tempo. Levava a minha frente 2 miudas e a minha unica esperanca de chegar ao grupo da frente.
Assim fiz: montei-me na bicicleta numa transicao muito rapida e deixava para tras uma delas.
Sorte ou azar, apanhei uma australiana que me levou completamente ao limite.

Era o tudo ou nada: ou me agarrava e sofria ou nunca mais ia apanhar o grupo. Nao consegui ajuda-la uma unica vez, mesmo com o primeiro grupo cada vez mais proximo.
Foi uma luta dura. Foi o meu corpo no limite com sensacoes completamente estranhas para mim.

Mas nunca pensei que viesse a ter estas consequencias. Morri na praia... o preco a pagar e as consequencias da minha ganancia devastadoras: descolei na bicicleta numa situacao em que nunca deveria. Fazer um esforco para chegar ao grupo, quase apanha-lo e descolar.

Mais uma vez, tudo me passou pela cabeca: so dizia. Nunca peco nada que nao seja merecido, mas desta vez, so desta vez, so mais um bocadinho...
Mas nao se trata de merecer ou de querer. Agora tratava-se de poder.

E eu nao podia mais. Estava no meu limite.
Com dificuldade consegui chegar ao parque. Lembro-me de me pedirem o chip e me perguntarem se tinha desistido. DESISTIR... EU... nem com isso me importei. 'E tudo o que me lembro. Tenho umas flaxadas da ambulancia. De me cairem as pernas e de me porem novamente em cima da maca.

Depois de recuperar, e ate voltar ao hotel foi uma aventura a fugir de fato de banho para apanhar a ambulancia que trazia do sitio para onde queria ir uma pessoa no mesmo estado que eu.

Bem, aventuras aparte... so para avisar que para o ano estou ca outra vez. Macacos me mordam se nao ganho uma destas um dia destes. A luta 'e contra mim, nao contra as outras.

Nao esta facil decidir. Mas nao posso desistir apesar de a epoca ja ir longa. Tenho que me aguentar para o mundial.

Um dia de cada vez...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Por falar em gaveta secreta...

É incrível a quantidade de vezes que as pessoas entram e saem da minha vida, sempre sem pedir licença...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A gaveta secreta...


Pessoas novas aparecem e desaparecem neste estranho mundo em que vivo.
São treinadores,são dirigentes são atletas ou companheiros sei lá de que... Mas o que nos move afinal? Serão as pessoas á nossa volta ou o gosto por aquilo que fazemos?
Dói tanto ver alguem ir embora, parece que nos levam uma parte de nós.
Ficam as lembranças que nos deixaram e tudo o que de bom nos ensinaram.
E pensar que o tempo tudo apaga, tudo atenua.
É como um velho livro que guardamos na gaveta e que de tempos a tempos abrimos para ler,rir,recordar,viver...
Um livro velho, apenas e só...

terça-feira, 27 de abril de 2010

VOCÊ GANHOU...


Uma viagem de Carangjola para Nancy para realização do Europeu de Duatlo este fim de semana!


Alé Veiga alé!!!

domingo, 18 de abril de 2010

Maria Papoila campeã Nacional de Duatlo



Ganhei!!! um empeno que nem consegui dormir.
3 provas, 3 semanas e o título que ainda não tinha

É uma vantagem jogar em casa: sem isso, esta vitória folgada não tinha sido possivel!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

She´s back!!!


Ontem fiquei orgulhosa.

Orgulhosa por saber que temos a sorte de ter uma pessoa assim: não só com o seu enorme talento mas com a força que demonstra ter nas alturas em que realmente é preciso!!!

Muitos parabens Vanessa!


Quanto a mim, fui 15a na minha primeira prestação internacional de Triatlo Olímpico. Há ainda muitos pormenores a acertar: coisas que o tempo e a paciência me ajudarão a superar...
De destacar uma mais todo o apoio dos que nos querem bem!!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Fim de semana da Ressurreição!





Renata Bucher, Marion Lorblanchet, Maria Papoila




XTerra Portugal, Figueira da Foz!
1500 natação, 35km de ciclismo e 10 de corrida... até aqui tudo normal.

O pior é quando a agua está a 13 graus, o ciclismo é feito com valas e pedregulhos e a corrida a pé... bem, a pé ou de gatas!!!
3º não foi mau de todo para esta experiência.
É o prazer e a adrenalina de se voltar a competir,digamos.... com vontade própria!!!



O fininho também foi lá deixar a sua marca (como já estamos habituados). Foi 5º na sua crucificação como de resto se pode verificar!















segunda-feira, 29 de março de 2010

O SALVADOR DA PÁTRIA!!!




Obrigada Fininho por salvares a honra da casa mesmo com botox!
1 pic por cada segmento

segunda-feira, 22 de março de 2010

1º Triatlo: Alpiarça




PACIÊNCIA: Acto ou efeito daquele que sabe esperar;

Virtude de manter o controlo emocional equilibrado, sem perder a calma ao longo do tempo. Consiste na tolerância a erros ou factos indesejados.



(somos quase as melhores amigas)



Vitória do meu braço direito que resistiu ao maior teste: competição!!!

domingo, 14 de março de 2010

Duatlo do Cadaval

Aprender a não ganhar, é seguramente a minha lição de hoje.

Depois de pensar em desistir, a minha cabeça falou mais alto e as pernas obedeceram (qb)
Hoje foi um dia importante: porque ganhar é tão importante como saber perder!!!


Gostava de postar uma fotografia, mas infelizmente ainda não as consigo tirar a mim própria
Uma vez mais a minha Amira foi a minha grande aliada

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Amira estreia a ganhar!



Vento e chuva, como já vem sendo hábito marcaram toda a prova. Juro que nunca tive tanto medo... Esta soube a vitória!!!!

Um especial Obrigada a todos os que me apoiaram durante a prova.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Uma pequena GRANDE Vitória!




O objectivo era voltar a competir... missão cumprida!!

Com bónus??? Melhor.

Muito obrigada a todos os que estiveram do meu lado nas alturas mais dificeis

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

TALENTO...

A partir de um certo nível, o talento deixa de ser Físico para passar a ser mental. A capacidade que temos para encaixar certo tipo de situações... isso sim... é puro TALENTO!!!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Enganaram-me a vida toda...


Toda a vida ouvi dizer: não treines não que é a bicicleta que vai andar por ti...

250kms com os columbianos da Alapraia???? Nem uma dor de costas, nem de braços, nem tensão nos trapézios? Ainda dizem que a tecnologia é uma questão de marketing...

Só podem ser mesmo os aviões...


Obrigada Specialized por me dares a enchada para cavar mais um bocadinho a minha cova!!!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Adeus Ruby


Foi com 3 horas de passeio pelos meus caminhos de montemor que ontem me despedi da minha ruby expert.
Apesar de ter sido um ano em que mal competi com esta bicicleta,foram algumas as horas que ainda me acompanhou.
Fica aqui o tributo... vou ter saudades...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Centro de Alto rendimento de Montemor o Velho

A porta do castelo


O meu quarto...



O jardim...
É muita mau... especialmente os caminhos de corrida e as voltas de bicicleta pela praia de copacabana. é mesmo muita mau...







terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Apresento o meu avião...

Babem-se meninas....
Meninos: usem o vosso Brain que este é meu!